
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, usou uma conferência conservadora em Phoenix, no Arizona, neste domingo (22), para reafirmar promessas de campanha, como fechar fronteiras, processar rivais, reduzir impostos e, em suas palavras, "deter a loucura transgênero".
"Assinarei ordens executivas para acabar com a mutilação sexual infantil e tirar os transgêneros do Exército e das nossas escolas dos ensinos fundamental e médio", disse o republicano, em uma aparente referência à cirurgia de afirmação de gênero, no AmericaFest, um evento de quatro dias organizado pelo grupo Turning Point USA.
"Em 20 de janeiro, os EUA virarão para sempre a página de quatro longos e horríveis anos de fracasso, incompetência e decadência nacional, e inauguraremos uma nova era de paz, prosperidade e grandeza nacional", afirmou.
Os estados americanos, que gozam de considerável autonomia em relação governo federal, têm se movido em direções opostas quando se trata de políticas voltadas a pessoas transgênero nos últimos anos -enquanto os tradicionalmente democratas aprovam legislações mais abertas em relação ao tema, os republicanos tentam restringir tratamentos médicos e livros sobre o assunto em bibliotecas públicas e escolas.
Como costuma fazer, o republicano dedicou a maior parte do tempo à migração e à fronteira. Ele repetiu sua alegação, sem evidências, de que outros países estavam enviando pessoas de hospícios e prisões para os EUA.
A iniciativa já havia sido mencionada em seu mandato anterior (2017-2021), mas foi arquivada a pedido do então presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que aceitou cooperar no tema da segurança. A atual presidente e primeira mulher chefe de Estado do México, Claudia Sheinbaum, rejeita a possibilidade de que as máfias mexicanas sejam designadas como terroristas sob o argumento de evitar uma incursão estrangeira que atente contra a soberania do país.
Por fim, o republicano voltou a mencionar uma possível retomada do controle do Canal do Panamá. Segundo o empresário, os panamenhos não têm sido justos com os americanos na operação do canal. Anteriormente, ele havia classificado de ridículas as tarifas para o uso da passagem, cuja construção foi iniciada pela França e concluída pelos EUA.
No domingo (22), o presidente panamenho, José Raúl Mulino, pediu respeito. "Cada metro quadrado do canal do Panamá e suas zonas adjacentes são do Panamá e continuarão sendo", reagiu.
O Canal de Panamá, concluído pelos EUA em 1914, foi devolvido ao país centro-americano sob um acordo de 1977, assinado pelo presidente democrata Jimmy Carter. O país centro-americano retomou o controle completo da passagem comercial em 1999.
Apesar de seu tom belicoso, não está totalmente claro se Trump pretende exercer algo além de pressão retórica sobre a nação.
Pouco depois, Trump anunciou a nomeação de Mauricio Claver-Carone, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como enviado especial do Departamento de Estado para a América Latina, com o objetivo de "colocar os interesses dos EUA em primeiro lugar". Segundo o republicano, Claver-Carone "conhece as graves ameaças que enfrentamos devido à imigração ilegal em massa e ao fentanil".
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