
O auge do Axé como fenômeno do mercado fonográfico ocorreu paralelamente à tensão com a música independente baiana. Artistas que não se identificavam parcial ou totalmente com o som que fazia a festa nos trios e blocos, muitas vezes se diziam incomodados com a falta de espaço para se apresentar, mesmo fora dos períodos de folia. Mas, passados 40 anos, a relação mudou com o surgimento de gerações de artistas independentes que guardam o Axé como uma memória capaz de dialogar com variados interesses musicais.
A cantora Márcia Castro é um exemplo. Em 2021, ela gravou o álbum Axé, inspirado no cancioneiro do Carnaval de Salvador, com participações de Margareth Menezes, Daniela Mercury e Ivete Sangalo. Em 2024, a mesma artista revisitou a cena no LP Roda de Samba Reggae, incluindo releituras de hits gravados pelo Chiclete com Banana e Cortejo Afro, entre outros.
Márcia Castro lembra que a relação com o Axé passou por um caminho de repulsa, reavaliação e respeito, trilhado desde a adolescência.
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